A água: recurso essencial
Segundo pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU), em meio século, metade da população mundial sofrerá com a falta de água. Pensar em escassez parece incoerência, já que estamos em um planeta com 70% da superfície cobertos de água. Porém, a água salgada, que está nos oceanos, equivale a 97,5% desse total. Dos 2,5 pontos percentuais que restam, a maior parte (68,9%) encontra-se nas calotas polares e geleiras, 29,9% constituem as águas subterrâeas e 0,9% corresponde umidade dos solos e pâtanos. Rios e lagos representam apenas 0,3% do total de água doce do planeta. Mesmo assim, é mais do que suficiente para abastecer toda a humanidade.
É importante lembrar, também, que o ser humano é composto em grande parte de água. O índice é de 98% em um feto, quantidade superior ao percentual de água na composição dos oceanos. Chega a 80% em um bebê, passa por 70% em um adulto para chegar em torno dos 60% em um idoso. Em outras palavras, viver é desidratar.
E desidratação é uma realidade comum em muitas regiões do planeta. Atualmente, 80% das mortes e das enfermidades no chamado mundo em desenvolvimento são causadas pela falta de água potável. Expansão industrial e agrícola, crescimento da população, degradação dos mananciais, alteração do ciclo hidrológico - provocado principalmente pela urbanização e desmatamento - são algumas das causas desse problema.
Nesse contexto, o Brasil está em uma situação privilegiada. As estimativas variam, mas acredita-se que o país detenha pelo menos 14% de toda a água potável do planeta. Além dos enormes rios da Região Amazônica, há o Aqüífero Guarani que, acredita-se, seja o maior manancial de água subterrâea do mundo e que abrange desde o norte de São Paulo, passando pelo Mato Grosso do Sul e estados do Sul, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Mas, talvez por essa abundâcia, o brasileiro não está contribuindo para a preservação dos recursos hídricos. O destino da água nos domicílios, por exemplo, cerca de 200 litros diários: 27% vão para cozinhar e beber, 25% para tomar banho e escovar os dentes, 12% para lavagem de roupa; 3% para outras tarefas (como lavagem de carro, por exemplo) e finalmente 33% são utilizados em descarga de banheiro.
Somente o reaproveitamento da chamada "água cinzenta" (resultantes de lavagens e banho) para descarga de latrinas resultaria numa economia de um terço de todo o consumo doméstico. Mas esse é o desperdício dentro de casa. Há, ainda, a perda com vazamentos na rede de distribuição. Em alguns centros urbanos, até 70% da água tratada são perdidos antes de chegar à s torneiras.
E o consumo de 200 litros diários, a propósito, é muito distante do que a ONU prevê para daqui a 50 anos, na maioria dos países. Acredita-se que muitas regiões não atingirão os 50 litros diários, considerados essenciais para atender à s necessidades humanas.
Preocupada com a questão da água e suas implicações com relação à sobrevivência humana, a Unesco criou o Programa Hidrológico Internacional, a maior iniciativa científica voltada ao meio ambiente no âmbito da ONU. Seu objetivo é fazer com que governos aprendam a fazer melhor uso de seus recursos hídricos, com impactos significativos na qualidade ambiental e nas comunidades instaladas em bacias hidrográficas de todo o mundo.
Em Foz do Iguaçu, cidade paranaense localizada próxima a fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, está instalado o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), uma parceria da Unesco com a Itaipu Binacional para o desenvolvimento de softwares e ferramentas de gestão, cursos de capacitação e divulgação de conhecimentos sobre o manejo de recursos hídricos. Aproveitando a posição privilegiada da cidade em relação aos países do Cone Sul, ao Aqüífero Guarani e à Bacia do Prata, o CIH tem a missão de apoiar e representar o Programa Hidrológico Internacional da Unesco nessa região do globo.




